domingo, 7 de junho de 2009

Sobre a Vírgula



Na internet há tantos fatos curiosos. Um deles é autoria de determinados textos.
A peça publicitária da Associação Brasileira de Imprensa (imagem acima) foi veiculada no ano passado. É uma verdadeira preciosidade. Mas há outras versões do texto circulando na web. Uma delas segue abaixo.

Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

E você, gramaticopata? Tem algum sugestão para ampliar este texto?

Eis a resposta, Sérgio


De volta!

Vou começar a responder as dúvidas que estão sendo deixadas no blog. Incrível!!! Os internautas já cobram atualização do site...

O Sérgio fez uma pergunta sobre uso de pronomes oblíquos: te ou ti?

Resposta: uma das coisas mais lindas do idioma é que ele nos permite usar distintas formas: algumas adequadas a determinadas situações e não a outras. Os pronomes me, te e se são pronomes átonos, dispensam preposição. Já os pronomes mim, ti e si são pronomes tônicos, exigem preposição.

Assim, justificando a imagem acima, posso dizer que:
1 - Arranjaram passagens para ti?
2 - Ofereceram-te passagens?

Na primeira frase, o termo ti funciona como objeto indireto do verbo. Na segunda, o pronome é complemento do verbo oferecer.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Intervalo comercial




Interrompemos a programação desse blog para um merchandising. O curso é voltado, prioritariamente, para estudantes de Comunicação Social, mas qualquer gramaticopata ou candidato a gramaticopata pode participar. Vai ser uma boa oportunidade de ver a gramática em um universo bem jornalístico, publicitário ...

Como é um curso compacto (três sábados), apenas alguns assuntos vão ser apresentados. São eles: concordância, regência, ortografia, acentuação e pontuação.

domingo, 24 de maio de 2009

Eles existem há muito tempo



Mais uma contribuição da minha amiga Silvia. Eu já conhecia o texto, mas esqueci quão gramaticopata é a criança descrita por Veríssimo. Boa leitura

Sexa
por Luís Fernando Veríssimo

- Pai...
- Hmmm?
- Como é o feminino de sexo?
- O quê?
- O feminino de sexo.
- Não tem.
- Sexo não tem feminino?
- Não.
- Só tem sexo masculino?
- É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e feminino.
- E como é o feminino de sexo?
- Não tem feminino. Sexo é sempre masculino.
- Mas tu mesmo disse que tem sexo masculino e feminino.
- O sexo pode ser masculino ou feminino. A palavra "sexo" é masculina. O sexo masculino, o sexo feminino.
- Não devia ser "a sexa"?
- Não.
- Por que não?
- Porque não! Desculpe. Porque não. "Sexo" é sempre masculino.
- O sexo da mulher é masculino?
- É. Não! O sexo da mulher é feminino.
- E como é o feminino?
- Sexo mesmo. Igual ao do homem.
- O sexo da mulher é igual ao do homem?
- É. Quer dizer... Olha aqui. Tem o sexo masculino e o sexo feminino, certo?
- Certo.
- São duas coisas diferentes.
- Então como é o feminino de sexo?
- É igual ao masculino.
- Mas não são diferentes?
- Não. Ou, são! Mas a palavra é a mesma. Muda o sexo, mas não muda a palavra.
- Mas então não muda o sexo. É sempre masculino.
- A palavra é masculina.
- Não. "A palavra" é feminino. Se fosse masculina seria "o pal..."
- Chega! Vai brincar, vai.
O garoto sai e a mãe entra. O pai comenta:
- Temos que ficar de olho nesse guri...
- Por quê?
- Ele só pensa em gramática.

Esclarecimentos

Gramaticopatas,

Preciso esclarecer alguns fatos:

1. Pensei que fosse mais fácil conciliar atividades cotidianas com estas atividades virtuais. Sei que está faltando uma atualização mais constante, mas estou tentando.

2. A partir de hoje, há(verbo impessoal) uma mudança no slogan do Gramaticopatas. Deixo de utilizar o "aqui só se pensa em gramática" e adoto outra expressão: "aqui só se pensa em linguagens". Não se trata apenas de uma adequação ao Enem (até porque alguns leitores do site, felizmente, já passaram por esta etapa). É, na verdade, uma forma de ampliar o espaço para discussões e esclarecimentos os mais diferentes possíveis.

3. Disseram (sujeito indeterminado) que a imagem do post anterior não é de uma borboleta. Seria uma libélula. Fiquei pensando: eu sou gramaticopata e quem me diz isso: zoopata?

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Obviamente


Depois de uma semana de divulgação em escolas e faculdades, o gramaticopatas não poderia fugir deste tema: borboletas.

Muito já foi dito. Mesmo assim, analisemos alguns versos:

Numa noite estranha, a gente se estranha e fica mal
Você tenta provar que tudo em nós morreu
Borboletas sempre voltam
E o seu jardim sou eu.


Victor e Leo: uma verdadeira aula sobre palavras homófonas perfeitas. Estranha é a noite, estranha é um adjetivo. A gente se estranha e eis um verbo com a mesma escrita e com a mesma pronúncia do adjetivo.
Palavras homófonas criam um efeito bem interessante na produção de textos. Um bom exemplo é a última imagem do seguinte texto.

(...)
De volta! A ambiguidade da frase "Família muda vende tudo" está na palavra muda. Pode ser um adjetivo ou um verbo. Mais um exemplo de homonímia.
Voltando ao princípio dessa nossa conversa, responda uma questão, amigo internauta: como você avalia a metáfora da borboleta? Esta associação entre a pessoa amada e uma borboleta é interessante, curiosa ou estranha? Fique à vontade. Expresse seus predicativos sobre esse assunto.
A minha avaliação sobre a metáfora, você vê e ouve aqui.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Gramática para ler jornais


Em primeiro lugar, este post é um reforço àquela ideia (sem acento) de que fica mais fácil estudar gramática quando se percebe a utilidade desse conhecimento em diversas áreas da vida.

Além disso, outro objetivo desse post é ressaltar o fato de que o jornalismo não é o espelho da realidade. O jornalismo é feito a partir de subjetividades, de impressões, de preferências, de escolhas...

Como exemplos, vejamos algumas manchetes de jornais impressos locais na terça-feira, 5 de maio de 2009:

Jornal Meionorte: Lula: dinheiro não falta
Jornal Diário do Povo: Lula cobra projetos
Jornal O Dia – Lula: ajuda contra as cheias só com projetos

A primeira manchete ressalta aspectos do discurso do presidente que, evidentemente, não são prioridade para quem redigiu os textos da segunda e da terceira manchete. Construiu-se, no jornal MN, uma manchete favorável ao mandatário da nação. Para não ser injusto, está no subtítulo do jornal MN a informação de “são necessários projetos”, mas a ênfase está no fato que o presidente é alguém disposto a superar qualquer limitação financeira para ajudar.

Sobre a segunda manchete, observamos uma ênfase no fato que Lula cobrou projetos. Com essa escolha lexical (verbo cobrar), o jornal Diário do Povo sugere que as autoridades locais estão cometendo falhas. Destaca-se, na manchete, uma cobrança feita pelo presidente. Lula é aquele que adverte sobre os erros cometidos.

Finalizando esse exercício semântico, acredito que, diante do discurso presidencial, a manchete do Jornal O Dia (imagem acima) foi a que mais se adequou aos fatos. Lá estão a promessa de ajuda e a condição (os projetos!) para que as verbas sejam destinadas.